Na minha infância era tudo tão simples, não tinha essa coisa de"traumatizar", reprimir e outras práticas que nos deixavam longe da realidade. Meus pais nunca foram ricos, mas era mais fácil ter as coisas e repartir. A semana era dividida com as pessoas carentes que tomavam café da manhã, almoçavam e levavam a janta pra casa. Isso, acontecia de segunda a sexta -feira. Não era privilégio nosso, muitas famílias faziam isso. Às terças-feiras vinha a portuguesa Umbelinda, a Belinda, para nós. Nela, tudo era farto, desde os enormes seios de onde ela tirava uma infinidade de medalhinhas e crucifixos até a risada que se ouvia a um quarteirão. Meu pai e tio Ciro(que serão em breve retratados aqui), quando a viam, gritavam logo"OH, BELINDA". Isso provocava nela um ataque de risos ouvido por toda a vizinhança.Ela passava o dia em nossa casa contando histórias de Portugal e de como tinha conhecido o rei português.Nunca soubemos realmente quem era ela de fato, nem seu sobrenome ou como viera parar aqui no Brasil. No entanto conhecíamos perfeitamente a essência dessa mulher que vivia da caridade alheia. Quando ela partiu anos mais tarde, ficou o grande vazio que só é provocado quando amamos.OH, BELINDA, que saudades!
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