Esse meu tio, pai da Cleuza, da Cleone e do Cambises, casado com tia Maria, irmã da mamãe, era realmente uma figura.Professor, diretor, escritor com vários livros publicados, culto, muito bem informado e um tanto quanto atrapalhado. Tio Ciro sumia de repente no meio de uma reunião e já não era incomum quando ele calçava pares de meia de cores diferentes nos pés. Era mesmo uma figura, falava o nome de todas as filhas e de todas as sobrinhas até acertar quem estava chamando. Ele era tão singular que viveu muitos anos com uma bala de chumbinho na cabeça, resultado de uma caçada. Ver meu pai e tio Ciro juntos era sinal de confusão, de "arte". Ele era muito bem humorado e uma das coisas que mais me lembro era quando após tirar uma longa soneca depois do almoço, alguém perguntava se ele havia descansado bastante e ele dizia, "olha, se eu não fosse forte, tinha dormido".Ele adorava jogar buraco e fazer coisas que reunissem a família como os almoços no sítio dele que hoje reconheço, eram ensaios do paraíso, felicidade total, infância plena.Fomos felizes não é Cleuza, minha testemunha desses dias que com Maria José deveríamos erguer uma prece por tanto riso, tanta alegria.Tio Ciro se foi velhinho, rindo da vida como sempre fez e sua falta é mais uma das lágrimas que se juntam a tantas das nossas lembranças.

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